Chile, um exemplo a ser seguido (Eduardo Chiaratti)

Notícias dos Cães de Rua das Cidades do Chile.
Um exemplo a ser seguido.

Por Eduardo Chiaratti


Estou aqui em Santiago de Chile, e de início me assustei com a quantidade de cães abandonados pelas ruas. Devem ser milhares. Eu vi quase uns cem em menos de uma semana. Na hora eu pensei: que furada! Justo eu que ando com ração e agua no carro para dar para os animais abandonados nas ruas de minha cidade vim parar num lugar como esse? Mas depois do susto inicial, foi um prazer ver como os cães de rua são bem tratados aqui, e muito gordos. Eles não são famintos como os que costumamos ver no Brasil. Cheguei a conclusão que nosso país é que é uma verdadeira desgraça. Da vergonha de ser brasileiro nessas horas.

Aqui no Chile, Leis severas impedem os maus tratos. Há cães por todos os lados. Hoje cheguei a dar um grito com um que estava atravessando uma rua movimentada com muitos carros correndo. Alguns cães são bem inteligentes e só atravessam a rua quando abre o sinal para pedestres, mas outros são mais enfezados e quando vêem algo que os irrita saem correndo desabaladamente e podem ser atropelados.

Há vários potes de agua nas ruas perto de telefones e bancos nos calçadões. Muitos andam com roupinha (fico imaginando se chover se isso não seria pior para eles secarem). A maioria usa coleira. Me informaram que se algum protetor que costuma alimentar algum que fique próxio de sua casa chamar o veterinário público este vem e leva para castrar e tratar, sem custo para o morador. Ao que parece é a prefeitura que paga. Todos os parques e locais públicos permitem que os cães fiquem por ali.

A maioria é muito carente de atenção e agrado e seguem algumas pessoas que os agradam, como foi meu caso. tive que dar uma bronca para ele voltar pois seria perigoso que saísse daquele local onde já deveria ter quem cuidasse dele. Vi algumas casinhas em alguns lugares, mas não muitas, e não em número suficiente para todos. A maioria dorme nos gramados ou em alguma caixa de papelão que encontram, ou em algum cantinho abrigado. Aqui faz muito frio e agora estamos na época das chuvas (até agora spenas uma leve garoa em um dia apenas).

Não vi cães pequenos. A maioria é de porte grande e bem peludos. Médios existem poucos. Tem vendedores ambulantes só de roupinha para cães nas ruas. Não vi potes de comida. Parei para conversar com um senhor muito bem vestido e de terno que estava dando biscoitos de cães da Biscrock para um cão um dia à noite aqui perto do apart-hotel, mas ele não quis comer. A maioria é bem gordo. Tem alguns que são extremamente obesos. Muitos parecem ser de raça.

Os cães que vi passear com seus donos geralmente eram pequenos, alguns de raça e outros vira-lata. Alguém me disse que muitos desses cães são de pessoas que os perderam na época dos vários terremotos que o país teve ou cujos donos morreram nesses terremotos. (Dizem que ocorrem pequenos terremotos direto, mas fracos e sem danos. Eu até gostaria de saber como é um desses bem fraquinhos, mas não percebi nada até agora. Rssss).

Voltando aos cachorros, notei também que a maioria das pessoas nem percebem a sua presença. São totalmente ignorados pela aioria dos transeuntes. Quem cuida, são aqueles que por sua profissão ficam em pontos fixos da cidade, como donos de algum comércio etc. Os guardas e policiais militares são as pessoas que eu mais vi agradando os animais, mesmo quando eles estão de sentinela em algum ponto perto do palácio do governo. Vi vários fazendo carinho nos cães que chegavam perto deles. Muitos policiais também ficam nas esquinas com cães treinados. Há policiais (carabineros) por todo lado. A cidade é muito segura. Há alguns que andam à cavalo no centro da cidade sempre em duplas. Os cavalis são lindos.

Gato de rua não vi. Apenas uns 3 na cidade praiana de Valparaíso, mas estavam dentro de lojas. Numa quitanda havia uma gata com seus filhotinhos que se esconderam quando tentei fotografar.

Resumindo. Aqui a gente não sente pena dos cães de rua, pois parecem estar muito bem alimentados. Só da dó à noite quando os vemos se ajeitando para dormir nos cantinhos das calçadas e nos gramados dos parques em baixo de alguma árvore.


Uma coisa eu vou levar comigo dessa viagem: a admiração por esse povo que sabe cuidar dos animais. Aqui não se amontoam cães em canis públicos nem os matam como se faz nos centros de zoonose das grandes cidades brasileiras. Deu muita vergonha de ser brasileiro, e ver como esse povo é diferente, respeitoso, educado, e como trata bem seus animais.

Por Eduardo Chiaratti

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