Fórmula do Consolo (Daniela Marchi)

Fórmula do Consolo (Daniela Marchi)
 
 
Ficar triste, todo mundo fica. Eu, talvez, seja mais propensa aos estados de melancolia , mas não chego a me alimentar da tristeza.
 
Os estados de baixa emocional são comuns à alma comum. Uma pessoa como eu, que é ‘comunzinha’ de tudo, mas busca o infinito, sonha com as estrelas, namora a Lua, idealiza um mundo melhor, mas vive presa neste mundo programado pela tradição vigente, vai ter momentos de declínio.
 
Aí você aparece borocoxô e todo mundo fica te olhando de ‘rabo de olho’ e perguntando o porquê daquilo. Raríssimos são os que simplesmente oferecem seu ombro, um abraço, o silêncio.
 
São poucos os que realmente se dispõem a ouvir um desabafo sem criticar ou fazer aquelas odiosas comparações com outras pessoas ou com a conjuntura mundial; “- Olha, tem gente que passa fome”;”Tem coisa pior”; “Saia para espairecer”; “Você sabe que não pode ficar assim”; “Não fale isso” e muitas outras frases pré-fabricadas de quem se dispõe a ajudar.
 
Certa feita, vi triste uma pessoa que nem era muito chegada a mim. De intuição, abracei-a e logo senti, num dos meus ombros, a quentura das lágrimas. O abraço abriu a guarda para o choro, e pedi para que a pessoa xingasse, chorasse, reclamasse o quanto quisesse, porque eu estava lá para ouvir e ‘ombrear’.
 
Hoje em dia, sempre que encontro tal pessoa, ela brinca dizendo que aquele foi o melhor alívio de sua vida. Prozac turbinado de ação instantânea. No dia em que ofereci o alento descobri, sem querer, a fórmula do consolo: SILÊNCIO+OMBRO +ABRAÇO=ALÍVIO.
 
Como sou imperfeita demais da conta e estou sempre barganhando com Deus, sonho com um momento assim: alguém que me conforte e não diga sempre as mesmas coisas, mas apenas ouça. Sou a típica egoísta: se fiz, quero também! Ora!
 
Quanto a sofrer, sofro mesmo, e daí? O sentimento aflora, eu choro porque sou sensível. Fica um pouco a tristeza, mas passa. Passa sem remédio, sem grito, sem briga. Será mesmo que eu sou estranha? Estranho, para mim, é fugir do que te frustra, porque ficará sempre mal resolvido.
 
Para a fuga, estão à disposição a bebida, as noites barulhentas, a comilança, as intermináveis reuniões da galera, que nada acrescentam à convivência nem ao espírito, as compras, os remédios da moda…
 
Eu me recolho no choro, não sei se é fuga, mas não tenho medo de chorar e sofrer. A melancolia me traz profundas reflexões, um auto-conhecimento extraordinário e me inspira na poesia. Este recolhimento melancólico-reflexivo impede, na maioria das vezes, que eu faça ou fale coisas das quais me arrependa depois.
 
Nesta época de Natal, para os ‘não-programados’, como eu, a ‘barra pesa’. Choro, olho as estrelas, mas fico na excelente companhia daquele que aceita a minha pequenez, me compreende e me envolve em abraços de luz sem me julgar ou criticar, o dono da festa, Jesus.
Sejam abençoados.
 
Daniela Marchi – Dezembro de 2012

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