Solidão na Visão Espírita (Walter Araújo Machado)

Solidão na Visão Espírita (Walter Araújo Machado)
A palavra SOLIDÃO encontrada no dicionário vem com o seguinte significado: – Estado de quem está só; Lugar ermo; Isolamento.
Em SOLITÁRIO encontramos: – Que foge da convivência; situado em lugar ermo; aquele que vive na solidão;
– Jóia com uma só pedra preciosa.
Essas denominações exprimem de forma muito generalizada um possível significado da Solidão e daquele que sente. Esse significado é o que comumente as pessoas se referem, mas existem outras faces desse tema que as pessoas também experimentam e não costumam explorar, ficando tudo misturado como se fossem meras nuances da mesma coisa. 
NA VISÃO FILOSÓFICA
“O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) afirma que estar só é a condição original de todo ser humano. Que cada um de nós é só no mundo. É como se o nascimento fosse uma espécie de lançamento da pessoa à sua própria sorte. Podemos nos conformar com isso ou não. Mas nos distinguimos uns dos outros pela maneira como lidamos com a solidão e com o sentimento de liberdade ou de abandono que dela decorre, dependendo do modo como interpretamos a origem de nossa existência.
O Homem pode encarar esta situação de duas formas; Pode aceitar a solidão, como forma de sua própria liberdade, ou interpretar a solidão como abandono ou castigo, ficando assim subjugado as influências externas, abrindo mão de sua própria existência, tornando-se um estranho para si mesmo, colocando-se a serviço dos outros e diluindo-se no impessoal, não assumindo a sua responsabilidade perante a espiritualidade.
Rollo May, afirma que “Não há dúvida que em todas as épocas a solidão foi temida e as pessoas dela procuram fugir.” E acrescenta mais adiante: “A diferença é que, em nossa época, o medo da solidão é muito mais intenso e as defesas contra ele – diversões, atividades sociais e amizades – são mais rígidas e compulsivas.” Segundo May, o grande medo da solidão é o de nos sentirmos abandonados pelos outros e ficarmos sós, entregues a nós mesmos, e a partir daí sermos responsáveis por todos os nossos atos, sem ter o outro para responsabilizar ou culpar.


NA VISÃO PSICOLÓGICA
Sentir-se só, isolado, com ou sem pessoas à volta, sentir-se abandonado, desvinculado do mundo, sentir-se com medo.
O medo que advém desse estado tem lastro no ensimesmamento em que ficamos, porque estamos em um momento de estar entregue a nós mesmos, sentindo abandono e desvalia, perdidos, sem o referencial do controle de nossos pensamentos e sentimentos que muitas vezes temos quando estamos na frente dos outros.
 Nesse momento estamos diante de nós mesmos e só de nós mesmos. Somos então impiedosamente críticos conosco, cobramos, revisamos nossos erros de forma cruel, o nosso vazio, o que não modificamos. É difícil aceitar as limitações e dificuldades sem lutar contra elas.
Essa solidão pode ser vivenciada junto com outra chamada pelos especialistas de Isolamento estrutural ou de Isolamento existencial. Que em síntese falam de uma condição da humanidade, em que cada um de nós somos seres lançados no mundo sozinhos, entregues a nós mesmos e só a nós cabe cuidar de nosso ser.
Segundo especialistas, define-se o isolamento em:
O Isolamento Estrutural (comum a todos os seres humanos)
A pessoa o sente porque é um indivíduo diferente dos outro, possuindo a sua originalidade, suas características peculiares e uma existência específica e singular (…) Os seus pontos extremos se encontram no nascimento e na morte: nascemos sozinhos e sozinhos morremos.” “É quando precisamos fazer escolhas e tomar decisões, sobretudo as que são mais relevantes para a nossa vida. Nesta ocasião, os outros podem estar conosco e ajudar-nos até certo ponto. Mas há o instante nevrálgico em que todos nos deixam e não podem mesmo ficar conosco. Sentimo-nos, então, sozinhos, porque, na verdade, ninguém pode escolher e nem decidir em nosso lugar”.
Pode-se experimentar esse tipo de isolamento, de estar sozinho, de três formas:
– Não perceber que está (mergulhado em alguma tarefa);
– Perceber e gostar (afastamento voluntário para refletir);  – Perceber e não gostar (ao se ver rejeitado do convívio das pessoas)
O Isolamento Funcional (distanciamento parcial por determinada circunstância) Pode-se experimentar por:
-Motivo espacial, geográfico (uma pessoa que é responsável por farol marítimo);
-Motivo de usos e costumes (pessoa idosa em ambiente só de jovens)
-Motivo cultural (estrangeiro que vive em terra estranha);
-Motivo de preconceito (uma pessoa negra que vive em comunidade branca racista). O Isolamento Interpessoal Pode-se experimentar por:
-Isolamento geográfico;
-Dificuldade de socialização;
-Fatores culturais;
-Declínio de instituições promotoras de aproximação (família grande, estabilidade de residência e vizinhança, comércio local, médico de família, etc.)
O Isolamento Intrapessoal
Refere-se a experiência de se abrir mão de seus próprios desejos e sentimentos aceitando “você tem que” ou “você deve” como se fosse seu próprio desejo, não confiando em seu próprio julgamento, ocultando suas próprias possibilidades, enfim, um afastamento de si próprio.
Mas é o Isolamento Existencial (Isolamento Estrutural) que se define pelo tipo de solidão mais fundamental da existência, persistindo mesmo com os relacionamentos mais gratificantes com outras pessoas. Como nos mostra a autobiografia de Thomas Wolfe em que o protagonista refletia: “Uma solidão inescrutável e uma tristeza o invadiram: ele viu sua vida através da solene vista das veredas da floresta, e ele soube que ele seria sempre uma pessoa triste: preso naquele pequeno corpo, aprisionado num coração secreto, e pulsante, sua vida continuaria sempre passando por caminhos solitários. Perdido. Ele compreendeu que os homens foram sempre estranhos uns aos outros, que ninguém veio, a saber, realmente quem o outro era, que aquele aprisionamento no escuro útero de nossas mães, nos trouxe a vida sem nunca ter visto seu rosto, que nós, um estranho fomos colocados em seus barcos e que, da prisão insolúvel do ser, nós nunca escaparemos não importa que barco nos segure, que boca nos beije, que coração nos aquece. Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca”.
Como alguém se protege do pavor do isolamento máximo? Nenhum relacionamento pode eliminar o isolamento. No entanto a solidão pode ser compartilhada de tal forma que o amor compensa a dor do isolamento, ou seja, o maior apoio contra esse terror é relacional em sua natureza. Compartilhando do fato de ambos serem solitários, sensíveis a isso. Mas quando dominados pelo medo, nossos relacionamentos se tornam inadequados, fracassados, medidos pela necessidade, por funções utilitárias.
De qualquer forma estaremos sempre sós, podemos dar conta do isolamento funcional, interpessoal e até do intrapessoal, mas não temos como extirpar uma condição da humanidade, a solidão de cada ser (isolamento existencial ou estrutural), o que podemos fazer é sentir e lidar com ela, ora se desesperando, ora aproveitando o que de mais belo ela pode nos ensinar, cuidar do ser, cuidar de ser.
“A angústia provocada pela solidão é o sentimento que muitas pessoas experimentam quando se conscientizam de estarem sós no mundo. É o mal-estar que o ser humano experimenta quando descobre a possibilidade da morte em sua vida, tanto a morte física quanto à morte de cada uma das possibilidades da existência, a morte de cada desejo, de cada vontade, de cada projeto.”
“Cada vez que você se frustra, que você não se supera, que você não consegue realizar seus próprios objetivos, você sente angústia. É como se você estivesse morrendo um pouco.”
“Muitas pessoas sentem dificuldade de estarem a sós consigo mesmas. Não conseguem viver intensamente a sua própria vida. Muitas vezes elas acreditam que o brilho e o encantamento da vida se encontram no outro e não nelas mesmas. Sua vida tem um encantamento, um brilho, algo de especial porque é sua, apenas sua. Independentemente do que você esteja fazendo, sua vida pode ser intensa, prazerosa, simplesmente pelo fato de ser sua e por você ser único. Cada um de nós pode ser uma pessoa especial para si mesmo.”
“A solidão é a condição do ser humano no mundo. Todo ser humano está só. Esta é a grande questão da existência, mas não significa uma coisa negativa nem que precise de uma solução definitiva. Ou seja, a solução não é acabar com a solidão, não é deixar de sentir angústia, suprimindo este sentimento. A solução não é encontrar uma pessoa para preencher o vazio existencial, não é encontrar um hobby ou uma atividade. A solução não é se matar de trabalhar e se concentrar nisso para não se sentir sozinho. Também não é encontrar uma estratégia para driblar a solidão. A solução é aceitar que se está só no mundo. Simplesmente isso. E sabendo-se só no mundo, viver a própria vida, respeitar a própria vontade, expressar os próprios sentimentos, buscar a realização dos próprios desejos. Quando se faz isso, a vida se enche de significado, de um brilho especial.”
 “O objetivo não é fingir que a solidão não existe, não é buscar a companhia dos outros, porque mesmo junto com os outros você está e sempre será solitário. O outro é muito importante para compartilhar, trocar. O outro é muito importante para a convivência, mas não para preencher a vida, não para dar sentido e significado a uma outra existência. A presença do outro nos ajuda, compartilhando, mostrando a parte dele, dando aquilo que não temos e recebendo aquilo que temos para dar, efetivando a troca. Mas o outro não é o elemento fundamental para saciar a angústia ou para minimizar a condição de solidão”.
“Cada um de nós nasceu só, vive só e vai morrer só”. A experiência de cada um de nós é única. O nascimento é uma experiência única, pois ninguém nasce pelo outro. Da mesma forma que a morte é uma experiência única, pois ninguém morre pelo outro. E a vida inteira, cada momento, cada segundo da existência, é uma experiência única, pois ninguém vive pelo outro.
NA VISÃO ESPÍIRITA O VERBO NA CRIAÇÃO TERRESTRE
“Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento. Viu-se, então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas, que envolveu o imenso laboratório planetário em repouso. Daí a algum tempo, na crosta solidificada do planeta, como no fundo dos oceanos, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que  cobria toda a Terra.
Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada, com essa massa gelatinosa, nascia no orbe o protoplasma e, com ele, lançara Jesus à superfície do mundo o germe sagrado dos primeiros homens.
O homem primitivo falava, porém não como o homem: alguns sons guturais, acompanhados de gestos, os precisos para responder às suas necessidades mais urgentes. Fugia da sociedade e buscava a solidão; ocultava-se da luz e procurava indolentemente nas trevas a satisfação de suas exigências naturais. Era escravo do mais grosseiro egoísmo; não procurava alimento senão para si; chamava a companheira em épocas determinadas, quando eram mais imperiosos os desejos da carne e, satisfeito o apetite, retraía-se de novo à solidão sem mais cuidar da prole.
O homem primitivo nunca ria; nunca seus olhos derramavam lágrimas; o seu prazer era um grito e a sua dor era um gemido. Com o passar dos tempos as famílias foram se unindo, formando tribos, se amalgamando, cruzando tipos, elegendo chefes e elaborando as primeiras regras de vida em comum. A partir daí a raça humana acelera o seu processo de crescimento interior desenvolvendo cada vez mais o senso gregário, ora para se proteger dos predadores, ora para se proteger das intempéries ora para a preservação da espécie.
Não poderia ser diferente, pois esta forma complexa e perfeita é composta de uma porção material perfeitamente elaborada em sua estrutura física, onde cada elemento desta construção ocupa o real espaço para o desenvolvimento de suas funções divinas, e sua contra-parte essência, que anima e dá sentido a esta maravilhosa estrutura, mantendo-se fiel através dos tempos à centelha divina que a criou, tendo a perfeita união destas duas partes, proporcionada pela ação de uma substância parte material e parte essência que, proporciona-lhe, cumprir a sua missão a cada existência.
Tudo provém da Unidade e volve à Unidade. O Universo é o Uno na sua constituição, resultado do Psiquismo Divino que tudo envolve e dinamiza. Em se tratando de um mundo de provas e expiações é necessário compreender que há necessidade de ampliarmos os nossos conhecimentos e sentimentos. Com os primeiros, valorizaremos cada vez mais a vida espiritual e conseqüentemente a nossa imortalidade. Com os segundos ampliaremos a nossa vida de relação com os nossos semelhantes realçando a nossa caminhada evolutiva, que em conjunção com as duas alçaremos vôo em direção à angelitude.
 Entendo assim, que em cumprimento a Lei de Divina, passamos pelas oportunidades reencarnatórias colhendo os frutos da nossa semeadura. E de conformidade com a passagem evangélica que diz: “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”. Necessário se faz sair da nossa solidão egoísta e atendermos aos reclames dos nossos irmãos que são os nossos instrumentos de trabalho pela divina misericórdia. Aí sim, fazendo a nossa parte poderemos dizer: Adeus solidão.
“O outro é o nosso instrumento de libertação”.
O ser humano necessita do calor afetivo de outrem, mediante cuja conquista amplia o seu campo de emotividade superior, desenvolvendo sentimentos que dormem e são aquecidos pelo relacionamento mútuo, que enseja amadurecimento e amor. Concomitantemente, espraia-se esse desejo de manter contato com s expressões mais variadas da vida, nas quais haurem alegria e renovação de objetivos, por ampliar a capacidade de amar e experimentar novas realizações. O fluxo da vida humana se manifesta através dos relacionamentos das criaturas uma com as outras, contribuindo para uma melhor e mais eficiente convivência social. Nas expressões mais primárias do comportamento, o instinto gregário aproxima os seres, a fim de os preserva mediante a união de energia que permutam, mesmo que sem darem conta.
O desafio do relacionamento é um gigantesco convite ao amor, a fim de alcançar a plenitude existencial. A ilusão não buscada gera conflitos que são herança de experiências fracassadas, mal vividas deixadas pelo caminho, por falta de conhecimento e de emoção, que vão adquirindo etapa-a-etapa nos processos dos renascimentos do Espírito.
A ilusão resulta, igualmente, da falta de percepção e densidade de entendimento, que se vai esmaecendo e cedendo lugar a realidade, a medida que são conquistados novos patamares representativos das necessidades do progresso. 
Até o momento falamos da Solidão como liberdade do ser, como única forma de nos relacionarmos com a nossa missão quando encarnados, mas não podemos esquecer que após o desencarne, continuamos na mesma condição que nos achávamos quando na veste de carne e por conseqüência, o espírito recém chegado do mundo material, traz as suas virtudes e defeitos, os seus medos e ignorância. Então a Solidão que lhe abalava na matéria continua lhe abalando na espiritualidade.
“Descera a noite totalmente, quando penetramos estreita sala, em que um círculo de pessoas se mantinha em oração. Várias entidades se imiscuíam ali, em meio dos companheiros encarnados, mas em lamentáveis condições, de vez que pareciam inferiores aos homens e mulheres que se fazia componentes da reunião. Apenas o irmão Cássio, um guardião simpático e amigo, de quem o Assistente nos aproximou, demonstrando superioridade moral. Notava-se-lhe, de imediato, a solidão espiritual, porquanto desencarnados e encarnados da assembléia não lhe percebiam a presença e, decerto, não lhe acolhiam os pensamentos. Ante as interpelações de nosso orientador, informou, algo desencantado:
Por enquanto, nenhum progresso, não obstante os reiterados apelos à renovação. Temos sitiado o nosso Quintino com os melhores recursos ao nosso alcance, mobilizamos livros, impressos e conversações de procedência respeitável, no entanto, tudo em vão… O teimoso amigo ainda não se precatou quanto às duras responsabilidades que assume, sustentando um agrupamento desta natureza… Áulus buscou reconforta-lo com um gesto silencioso de compreensão e convidou-nos a observar. Revestia-se o recinto de fluidos desagradáveis e densos”
No trecho acima, de Emmanuel em Nos Domínios da Mediunidade, podemos observar que apesar de estar em situação moral superior aos outro que estavam a sua volta, por se sentir só e não ter compreendido a sua missão, o companheiro espiritual necessita de maior apoio daqueles mais evoluídos e apesar de não estar atento à situação, Aulus assim mesmo tenta reconforta-lo e instruí-lo. 
Na mesma forma, por várias vezes sentimo-nos só e desamparado, a medida que evoluímos em nossos estudos, pois cada vez que vamos entendendo o que nossos amigos espirituais nos transmitem, a medida que conseguimos por em prática os benditos ensinamentos do Mestre, mais o nosso círculo de pessoas afins vai se estreitando, pois poucos buscam a “porta estreita”.
Esta Solidão é meramente aparente, pois quanto mais estudamos, mais nos afastamos do lugar comum, do mundo material com seus prazeres efêmeros, é como se entendêssemos o que o Mestre disse em “Estar no Mundo sem ser do Mundo”, dessa forma a solidão ao invés ser um martírio, passa a ser um estágio prazeroso e indispensável para que possamos renovar nossas forças e sedimentar o nosso conhecimento, para que possamos conviver e evoluir neste mundo de Provas e Expiações.
Na mesma forma de sua concepção divina, o Homem necessita do convívio com o seu semelhante para que possa se relacionar com o mundo a sua volta e dar prosseguimento a sua evolução.
De todos os seres que habitam o nosso orbe, o Homem é o único que necessita de cuidados adicionais após o seu nascimento, pois todos o animais ao nascerem se tornam independentes e de imediato buscam se sustentar e se desenvolver. Apenas o Homem precisa de cuidados maternos após o seu nascimento, por período maior do que os outros.
A longa demora de sua independência é plenamente entendida, pois em seu estágio de evolução, o Homem necessita do convívio com aqueles que ombrearam no passado e que por motivos diversos deixaram questões a serem resolvidas, tais como ofensas, mágoas, injustiças e até mesmo atos de barbáries, que com o advento da reencarnação lhe é facultado a chance de desenvolver o amor por aquele que no passado sofreu a sua ofensa e com isso cumprir com a sua nobre missão.
Se observarmos, com passar das épocas, podemos observar que cada vez mais as crianças nascem mais independentes, mais evoluídas, exemplificando a evolução da raça, porém somente com a remissão de nossos erros passados é que poderemos nos considerar livres destes compromissos e retomarmos a nossa caminhada rumo a angelitude. 
O homem solidário jamais se encontra solitário. O egoísta, em contrapartida, nunca está solícito, por isto, sempre atormentado. Possivelmente, o homem que caminha a sós se encontre mais sem solidão, do que outros que, no tumulto, inseguros, estão cercados, mimados, padecendo disputas, todavia sem paz nem fé interior. A fé no futuro, a luta por conseguir a paz íntima, eis os recursos mais valiosos para vencer-se a solidão, saindo do arcabouço egoísta e ambicioso para a realização edificante onde quer que se esteja.
Reservar um tempo diário para a meditação e um outro para a reflexão, independentemente das pressões do cotidiano, é fundamental. Fonte de ilusões é o ser humano acreditar que está no controle da vida, vinculando sua felicidade a elementos externos. Esse controle pertence a Deus, numa visão de religiosidade cósmica.
Devemos lembrar que o Pai nunca deixa os filhos desamparados, assim, se te vês presentemente sem laços domésticos, sem amigos certos na paisagem transitória do planeta, é que Jesus te enviou a pleno mar de experiência, a fim de provares tuas conquistas em supremas lições.
CONCLUSÃO
Com tudo o que foi exposto acima, pudemos observar que o Homem, parte integrante e ativa do Universo, a partir da sua evolução, nasce só, vindo da Unidade, inicialmente atuando isoladamente, mas devido ao seu instinto gregário, sai de sua solidão para através de seu instinto genésico, iniciar sua interação com o mundo que o cerca, para dar os primeiros passos de sua evolução no orbe terrestre e a partir da crescente interação com a vida, vai perdendo o medo de se sentir só e compreende que o estado de solidão é ilusório pois sempre estaremos acompanhados e agora não mais como um ser isolado e sim como parte de um todo, constatando que como o Universo é UNO, tudo tende a unidade e a medida em que se vai evoluindo, retorna  a solidão, não mais como um ser claudicante e parcial, não mais com o medo da dúvida, mas com a certeza da plenitude da essência para finalmente cumprir a sua missão.
A mãe natureza é sábia quando determinou que cada ser vivo precisa de uma parte de sua vida para ficar só, constatado quando temos sono e temos que dormir para nos refazermos.
Quando estamos nos recolhemos em prece estamos experimentamos momentos de solidão.
Quando estamos concentrados lendo estamos sós.
Quando estamos trabalhando compenetradamente, estamos sós.
Em nenhum dos estados acima experimentamos a sensação de desconforto, pois em nenhum destes sentimos culpa, mas se as pessoas não se aproximam de nós, se as pessoas se aproximam e nós não aceitamos, se a vida nos impõe um isolamento geográfico ou um isolamento físico, aí sim a nossa culpa é despertada através de um grande sentimento de desconforto e por diversas vezes, cedemos a esta culpa, se isolando, pois não temos coragem de enfrentar as nossas debilidades e nos escondemos de nós mesmos, desempenhando o papel de coadjuvante em nossa própria estória, cedendo cada vez mais àqueles que se esforçam para que não vençamos, deixando de fazer valer o motivo para que viemos neste mundo como uma alma vivente.
Walter Araújo Machado
BIBLIOGRAFIA
O homem a Procura de Si Mesmo – Rollo May
Ser e Tempo – Martin Heidegger
A Caminho da Luz – Emannuel
Os Exilados de Capela – Edgard Armond
O Despertar do Espírito – Joanna de Angelis
Amor Imbatível Amor – Joanna de Angelis
O Homem Integral – Joanna de Ângelis

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