A Perda de um Mascote (Pillar Gomide do Valle)

A Perda de um Mascote (Pillar Gomide do Valle)

Os veterinários se deparam com uma alta incidência de perda de pacientes tanto neonatos como também geriátricos em razão das vidas naturalmente mais curtas dos animais, quando comparadas com humanos.
Após uma perda as pessoas experimentam muitas emoções incluindo negação, raiva, culpa e depressão. É importante que existam ouvintes simpáticos e receptivos para que as pessoas se sintam suficientemente seguras para expressar o seu sentimento. A pessoa que lamenta a perda de seu animal experimenta não somente uma falta de apoio das outras pessoas, mas pode, de fato, encontrar uma reação negativa sobre o seu sentimento de luto. Muitos veterinários podem não perceber que também sofrem uma perda e experimentam o luto quando o animal morre. Sua primeira reação pode ser de negação, seguida pela raiva por perder o paciente.
Há muito tempo os psicólogos reconheceram que o luto experimentado pelos proprietários de animais após a morte destes é o mesmo experimentado após a morte de uma pessoa. A morte de um animal de estimação significa a perda da fonte de um amor incondicional e por isso os proprietários procuram por respostas para diminuir seu sentimento de perda.
Frequentemente um cão ou gato morto é levado ao veterinário na tentativa de elucidar a causa do óbito. Algumas vezes o criador tem interesse financeiro significativo na ninhada e busca um diagnóstico especifico para poder solucionar um problema e saúde em uma criação comercial, em outras um novo proprietário quer saber por que o neonato morreu; nos casos em que um animal recém adquirido é envolvido, há risco de litígio entre o proprietário e o criador. Ocasionalmente, os proprietários deixam suas cadelas ou gatas terem uma ninhada para mostrar aos filhos o milagre da vida, e estão mal preparados para o milagre do óbito, e, desesperadamente, buscam uma causa de morte para responder às perguntas das crianças.
É importante que os veterinários se tornem proativos na preparação dos proprietários para a morte de um animal, iniciando este trabalho vários anos antes. A menção da expectativa de vida realista para a espécie e raça apresentadas na primeira visita é muito adequada. Além disso, o clinico deve se mostrar sensível e prestativo, assim como imparcial sobre os desejos e escolhas do proprietário após a perda de seu animal.
Saber qual conduta seguir na hora de passar uma notícia de óbito ao proprietário com segurança e delicadeza para esclarecer suas dúvidas é primordial para manter a relação de confiança entre o cliente e o veterinário.
Autora: Pillar Gomide do Valle (VALLE, P. G.).

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