Lições básicas de espiritismo para quem não o conhece (Daniela Marchi)

Lições básicas de espiritismo para quem não o conhece
(Daniela Marchi)

  É de se admirar que em pleno terceiro milênio alguém sofra com o sectarismo de qualquer natureza. Jesus nos deixou a lição suprema de tolerância e compassividade ao morrer aviltado na cruz sem se revoltar, e tem gente que, tendo tanto que se melhorar ainda, se vê no direito de criticar ou discriminar as escolhas de outrem. 
Este preâmbulo é para falar de um quadro ilustrado colocado no mural da minha página do Facebook há alguns meses, que dizia assim: “Sou (de tal religião), graças a Deus”. Nos comentários, a beldade que pregou isso no meu mural, escreveu os seguintes dizeres: “Eu não me desviei do caminho”! 
Como sou filha de Deus em evolução, logicamente, tive vontade de rebater com argumentos diretos e mordazes, entretanto, como meu querido ‘faceamigo’ se incomodou por eu ter me tornado Espírita e me atacou, resolvi agir de acordo do as diretrizes do Espiritismo e do Cristo: silenciar perante as ofensas. 
Exclui a ilustração de mau gosto, mesmo porque, nenhuma religião é melhor que a outra e, a pessoa que tem pureza d´alma nem religião precisa ter, já que está conectada com o criador pelos laços do amor. 
Eu mesma me tornei Espírita porque enxerguei na doutrina uma lógica irretorquível! Não me venham os beatos me falar sobre os mistérios da fé, pois, se o reino de Deus tivesse que ser oculto e misterioso, Deus não nos daria inteligência.  
E porque sou uma pessoa que busca respostas para tudo, apaixonei-me pela Doutrina Espírita. 
No longínquo ano de 1994, conheci a doutrina através de uma amiga de faculdade, a Egle. É verdade que eu já havia lido vários romances mediúnicos, mas a Egle me apresentou à vertente científica da Doutrina quando me presenteou com o precioso livro ‘Depois da Morte’, do erudito León Denis. 
  Fiquei maravilhada quando assisti, pela primeira vez, a uma palestra num centro: todos reunidos em silêncio respeitável, explanações e depois os passes. Nunca esqueço da sensação de ter recebido meu primeiro passe, o calor do magnetismo a percorrer minha espinha e depois a mão do médium sobre meu ombro. Em meio a um sorriso plácido, ele me disse: ‘seja bem vinda, esta casa é sua’. Diacho! Como o homem sabia que era a minha primeira vez ali? Pois é, o médium passista não sabia, mas emprestou sua voz para que a bondosa entidade que me levou até lá se comunicasse comigo. 
Meses depois, sofri a perda de meu grande companheiro e amigo: meu pai. Ele partiu depois de um enfarte fulminante. A morte de meu pai foi num sábado. Na segunda, eu já estava frequentando o trabalho e a faculdade. A primeira lição de Espiritismo eu já tinha aprendido: desmistificar a morte, que não é senão um retorno para a vida real. Doía muito e eu chorava sempre que dava vontade, mas as lágrimas não eram de revolta. 
Outra lição do Espiritismo e um dos pilares da doutrina, eu ainda estou praticando e, todo bom cristão e Espírita jamais abandona esta prática: a reforma íntima. Trocando em miúdos, reforma íntima significa demover todos os esforços para se melhorar moralmente. Para praticar a reforma íntima tenho sempre em mente a máxima preconizada pelo mestre, de não fazer ao próximo, o que não quero que o próximo faça a mim. Englobo neste conceito de próximo também os animais, que a Doutrina ensina serem nossos irmãos menores, dotados de alma e com a inteligência em evolução, merecedores de nossa compaixão e respeito. 
Com o Espiritismo aprendi ainda a respeitar as diversidades e a refletir a respeito do grau de adiantamento de cada um, portanto, uma pessoa que desprezamos hoje em virtude de qualquer ‘verniz social’, pode estar anos-luz à nossa frente no quesito moralidade e, no fim das contas, para Deus, o que importa realmente são os tesouros da alma que amealhamos. 
 Outro aspecto que me fascina é que a Doutrina não é impositiva. Em nenhuma obra você verá alguma regra sobre fazer ou não fazer determinada coisa. O Espiritismo tem a franqueza de expor as consequências dos nossos atos, isto porque retrata com cores vivas tudo o que acontece do outro lado. É um maravilhoso noticiário ao além-túmulo. Assim, quando o nossos atos se distanciam das diretrizes do amor universal criadas pelo Todo Poderoso, é claro que as consequências serão dolorosas para nós. Aí está a beleza: para ser Espírita, tem que ser destemido, porque somos confrontados, a todo momento, com a nossa consciência, a poderosa voz de Deus em nós. Então, não adianta fazer tantas ou quantas penitências se você não se modificar. O Espiritismo ensina que NÃO SE BARGANHA COM DEUS, por mais extensas que sejam as orações ou mais polpudos os dízimos…
  É de se ressaltar ainda que a Doutrina não tem nenhum rebuscamento, nenhum rococó! Tudo é muito simples: não tem liturgia e nem movimentos ensaiados; também não tem culto a imagens, oferendas, música barulhenta, nada disso. Você entra num Centro e ouve uma música suave para se acalmar e meditar, assiste a palestra (tem oração no início e fim de cada explanação, mas bem simples), toma passe, se quiser e, no final, antes de sair da casa, a pessoa tem à disposição um copinho de água fluidificada, tudo agradável, acolhedor e ‘simples assim’.
  Quanto ao intercâmbio com os espíritos, outro ponto crucial da Doutrina, este é feito em reuniões fechadas ao público em geral e contam com médiuns que passam, via de regra, por estudos e intenso preparo. Irmãos nossos desencarnados são socorridos e esclarecidos nas reuniões mediúnicas quando aptos a receber este amparo. O labor do médium sério é uma missão de amor e renúncia pois, para se exercer a mediunidade com Jesus, é preciso renunciar aos chamados do mundo materialista de hoje. Que fique claro que o médium não é melhor que ninguém, mas apenas um trabalhador que empresta seu aparelho (corpo físico) para o amparo de necessitados, tão vivos quanto nós mesmos. A Doutrina Espírita, meu amigo, é o AMOR EM AÇÃO, pois socorre que necessita, lá e cá. 
  
Outros pontos importantes: 
  1) Kardec não é ‘nosso Jesus’. Ele foi um homem de letras e educador respeitável que codificou, ou seja reuniu os ensinamentos trazidos pelos Bons Espíritos. Naquela época, em 1850, médiuns de todas as partes do mundo receberam mensagens psicografadas. Kardec as reuniu, selecionou e sistematizou no ‘Livro dos Espíritos’, no ‘Evangelho segundo o Espiritismo’ e outras obras. Jesus, o mestre por excelência, é considerado pelo Espiritismo como governador, tutor supremo da Terra, Espírito que, junto a outros Luminares, presidiu a formação do orbe, e 
  2) Chico Xavier não é ‘nosso santo’, já que não existe santificação ou beatificação na Doutrina, embora a vida do Chico tenha sido um hino de louvor a Deus e, seus atos, certamente, muito mais santos de que os de de muitas personalidades outrora canonizadas 
  Termino esta missiva para meu ‘faceamigo’ não dizendo que ‘sou Espírita, graças a Deus’, mas dando graças a Deus porque encontrei no Espiritismo o alento que precisava para a minha vida. 

Autora: Daniela Marchi, 07/05/2012
Fonte do Blog da autora: http://atriomental.blogspot.com.br/2012/05/licoes-basicas-de-espiritismo-para-quem.html#comment-form

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