Intelectualismo (Emmanuel / Chico Xavier) do livro "O Consolador"

Intelectualismo (Emmanuel / Chico Xavier) do livro “O Consolador”

204 –A alma humana poder-se-á elevar para Deus, tão-somente com o progresso mora, sem os valores intelectivos?

O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita.

No círculo acanhado do orbe terrestre, ambos são classificados como adiantamento moral e adiantamento intelectual, mas, como estamos examinando os valores propriamente do mundo, em particular, devemos reconhecer que ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém, considerar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto a parte intelectual sem a moral pode oferecer numerosas perspectivas de queda, na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas.

205 –Podemos ter uma idéia da extensão de nossa capacidade intelectual?

-A capacidade intelectual do homem terrestre é excessivamente reduzida, em face dos elevados poderes da personalidade espiritual independente dos laços da matéria.

Os elos da reencarnação fazem o papel de quebra-luz sobre todas as conquistas anteriores do Espírito reencarnado. Nessa sombra, reside o acervo de lembranças vagas, de vocações inatas, de numerosas experiências, de valores naturais e espontâneos, a que chamais subconsciência. O homem comum é uma representação parcial do homem transcendente, que será reintegrado nas suas aquisições do passado, depois de haver cumprido a prova ou a missão exigidas pelas suas condições morais, no mecanismo da justiça divina.

Aliás, a incapacidade intelectual do homem físico tem sua origem na sua própria situação, caracterizada pela necessidade de provas amargas. O cérebro humano é um aparelho frágil e deficiente, onde o Espírito em queda tem de valorizar as suas realizações de trabalho.

Imaginai a caixa craniana, onde se acomodam células microscópicas, inteiramente preocupadas com sua sede de oxigênio, sem dispensarem por um milésimo de segundo; a corrente do sangue que as irriga, a fragilidade dos filamentos que as reúnem, cujas conexões são de cem milésimos de milímetro, e tereis assim uma idéia exata da pobreza da máquina pensante de que dispõe o sábio da Terra para as suas orgulhosas deduções, verificando que, por sua condição de Espírito caído na luta expiatória, tudo tende a demonstrar ao homem do mundo a sua posição de humildade, de modo que, em todas as condições, possa ele cultivar os valores legítimos do sentimento.

206 –Como é considerada, no plano espiritual, a posição atual intelectiva da Terra?

-Os valores intelectuais do planeta, nos tempos modernos, sofrem a humilhação de todas as forças corruptoras da decadência. A atual geração, que tantas vezes se entregou à jactância, atribuindo a si mesma as mais altas conquistas no terreno do raciocínio positivo, operou os mais vastos desequilíbrios nas correntes evolutivas do orbe, com o seu injustificável divórcio do sentimento.

Nunca os círculos educativos da Terra possuíram tanta facilidade de amplificação, como agora, em face da evolução das artes gráficas; jamais o livro e o jornal foram tão largamente difundidos; entretanto, a imprensa, quase de modo geral, é órgão de escândalo para a comunidade e centro de interesse econômico para o ambiente particular, enquanto que poucos livros triunfam sem o bafejo da fortuna privada ou oficial, na hipótese de ventilarem os problemas elevados da vida.

207 –A decadência intelectual pode prejudicar o desequilíbrio do mundo?

-Sem dúvida. E é por essa razão que observamos na paisagem político-social da Terra as aberrações, os absurdos teóricos, os extremismos operando a inversão de todos os valores.

Excessivamente preocupados com as suas extravagâncias, os missionários da inteligência trocaram o seu labor junto ao espírito por um lugar de domínio, como os sacerdotes religiosos que permutaram a luz da fé pelas prebendas tangíveis da situação econômica. Semelhante situação operou naturalmente o mais alto desequilíbrio no organismo social do planeta, e, como prova real desse asserto, devemos recordar que a guerra de 1914-1918 custou aos povos mais intelectualizados do mundo mais de cem mil bilhões de francos, salientando-se que, com menos de centésima parte dessa importância, poderiam essas nações haver expulsado o fantasma da sífilis do cenário da Terra.

208-Há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre?

-Assim como numerosos Espíritos recebem a provação da fortuna, do poder transitório e da autoridade, há os que recebem a incumbência sagrada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de desenvolverem a boa tarefa da inteligência em proveito real da coletividade.

Todavia, assim como o dinheiro e a posição de realce são ambientes de luta, onde todo êxito espiritual se torna mais porfiado e difícil, o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado, conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas.

209 –O escritor de determinada obra será julgado pelos efeitos produzidos pelo seu labor intelectual na Terra?

-O livro é igualmente como a semeadura. O escritor correto, sincero e bemintencionado é o lavrador previdente que alcançará a colheita abundante e a elevada retribuição das leis divinas à sua atividade. O literato fútil, amigo da insignificância e da vaidade, é bem aquele trabalhador preguiçoso e nulo que “semeia ventos para colher tempestades”. E o homem de inteligência que vende a sua pena, a sua opinião e o seu pensamento no mercado da calúnia, do interesse, da ambição e da maldade, é o agricultor criminoso que humilha as possibilidades generosas da Terra, que rouba os vizinhos, que não planta e não permite o desenvolvimento da semeadura alheia, cultivando espinhos e agravando responsabilidades pelas quais responderá um dia, quando houver despido a indumentária do mundo, para comparecer ante as verdades do Infinito.

210 –Os trabalhadores do Espiritismo devem buscar os intelectuais para a compreensão dos seus deveres espirituais?

-Os operários da doutrina devem estar sempre bem dispostos na oficina do esclarecimento, todas as vezes que procurados pelos que desejem cooperar sinceramente nos seus esforços. Mas provocar a atenção dos outros no intuito de regenera-los, quando todos nós, mesmos os desencarnados, estamos em função de aperfeiçoamento e aprendizado, não parece muito justo, porque estamos ainda com um dever essencial, que é o da edificação de nós mesmos. No labor da Doutrina, temos de convir que o Espiritismo é o Cristianismo redivivo pelo qual precisamos fornecer o testemunho da verdade e, dentro do nosso conceito de relatividade, todo o fundamento da verdade da Terra está em Jesus-Cristo.

A verdade triunfa por si, sem o concurso das frágeis possibilidades humanas. Alma alguma deverá procura-la supondo-se elemento indispensável à sua vitória. Com seu órgão no planeta, o Espiritismo não necessita de determinados homens para consolar e instruir as criaturas, depreendendo-se que os próprios intelectuais do mundo é que devem buscar, espontaneamente, na fonte de conhecimentos doutrinários, o benefício de sua iluminação.

211 –Como compreender a noção de personalidade?

-A compreensão da personalidade, no mundo, vem sendo muito desviada de seus legítimos valores, pelos espíritos excêntricos, altamente preocupados em se destacarem no vasto mundo das letras. Entendem muitos que “ter personalidade” é possuir espírito de rebeldia e de contradição na palavra sempre pronta a criticar os outros, no esquecimento de sua própria situação.

Outros entendem que o “homem de personalidade” deve sair mundo a fora, buscando posições de notoriedade em falsos triunfos, porquanto exigem o olvido pleno dos mais sagrados deveres do coração. Poucos se lembraram dos bens da humildade e da renúncia, para a verdadeira edificação pessoal do homem, porque, para a esfera da espiritualidade pura, a conquista da iluminação íntima vale tudo, considerando que todas as expressões da personalidade prejudicial e inquieta do homem terrestre passarão com o tempo, quando a morte implacável houver descerrado a visão real da criatura.

212 –O homem sem grandes possibilidades intelectuais é sempre um homem medíocre?

-O conceito de mediocridade modifica-se no plano de nossas conquistas universalistas, depois das transições da morte. Aí no mundo, costumais entronizar o escritor que enganou o público, o político que ultrajou o direito, o capitalista que se enriqueceu sem escrúpulos de consciência, colocados na galeria dos homens superiores. Exaltando-lhes os méritos individuais com extravagâncias louvaminheiras, muitos falais em “mediocridade”, sem “rebanho”, em “rotina”, em “personalidade superior”.

Para nós, a virtude da resignação dos pais de família, criteriosos e abnegados, no extenso rebanho de atividades rotineiras da existência terrestre, não se compara em grandeza com os dotes de espírito do intelectual que gesticula desesperado de uma tribuna, sem qualquer edificação séria, ou que se emaranha em confusões palavrosas na esfera literária, sem a preocupação sincera de aprender com os exemplos da vida. O trabalhador que passa a vida inteira trabalhando ao Sol no amanho da terra, fabricando o pão saboroso da vida, tem mais valor para Deus que os artistas de inteligência viciada, que outra coisa não fazem senão perturbar a marcha divina das suas leis.

Vede, portanto, que a expressão de intelectualidade vale muito, mas não pode prescindir dos valores do sentimento em sua essência sublime, compreendendo-se afinal, que o “homem medíocre” não é o trabalhador das lides terrestres, amoroso de suas realizações do lar e do sagrado cumprimento de seus deveres, sobre cuja abnegação erigiu-se a organização maravilhosa do patrimônio mundano.

213 –Devemos acalentar a preocupação de adquirir os elementos do chamado magnetismo pessoal?

-Essa preocupação é muito nobre, mas ninguém suponha realiza-la tão-só com a experiência da leitura de livros pertinentes ao assunto. Não são poucos os que buscam essa literatura, desejosos de fórmulas mágicas no caminho do menor esforço.

Todavia, o que indispensável salientar pe que nenhum estudioso pode conquistar simpatia sem que haja transformado o coração em manancial de bondade espontânea e sincera. Na vida não basta saber. É imprescindível compreender. Os livros ensinam, mas só o esforço próprio aperfeiçoa a alma para a grande e abençoada compreensão. Esqueça a conquista fácil, a operação mecânica; injustificáveis nas edificações espirituais, e volvei a atenção e o pensamento para o vosso próprio mundo interior. Muita coisa aí se tem a fazer e, nesse bom trabalho, a alma se ilumina, naturalmente, aclarando o caminho de seus irmãos.

214 –Como interpretar os impulsos daqueles que acreditam na influência dos chamados talismãs da felicidade pessoal?

-Criaturas há que, para manter sua energia espiritual sempre ativa, precisam concentrar a atenção em algum objeto tangível, visando os estados sugestivos indispensáveis às suas realizações, como esses crentes que não prescindem de imagens e símbolos materiais para admitir a eficácia de suas preces. Ficam certos, porém, de que o talismã para a felicidade pessoal, definitiva, se constitui de um bom coração sempre afeito à harmonia, à humildade e ao amor, no integral cumprimento dos desígnios de Deus.

215 –Os chamados “homens de sorte” são guiados pelos Espíritos amigos?

-Aquilo que convencionastes apelidar “sorte” representa uma situação natural no mapa de serviços do Espírito reencarnado, sem que haja necessidade de admitirdes a intervenção do plano inviável na execução das experiências pessoais.

A “Sorte” é também um aprova de responsabilidade no mecanismo da vida, exigindo muita compreensão da criatura que a recebe, no que se refere à misericórdia divina, a fim de não desbaratar o patrimônio de possibilidades sagradas que lhe foi conferido.

216 –O “amor-próprio”, o “brio”, o “caráter”, a “honra”, são atitudes que a sociedade humana reclama da personalidade; como proceder em tal caso, quando os fatos colidem com os nossos conhecimentos evangélicos?

-O círculo social exige semelhantes atitudes da personalidade, contudo, essa mesma sociedade ainda não soube entende-las, senão pela pauta das suas convenções, quando o amor-próprio, o brio, o caráter e a honra deveriam ser traços do aperfeiçoamento espiritual e nunca demonstrações de egoísmo, de vaidade e orgulho, quais se manifestam, comumente, na Terra. Quando o homem se cristianizar, compreendendo essas posições morais no seu verdadeiro prisma, não mais se verificará qualquer colisão entre os acontecimentos da existência comum e os seus conhecimentos do Evangelho, porquanto o seu esforço será sempre o da cooperação sincera a favor do reerguimento e da elevação espiritual dos semelhantes.

217 –Qual o modo mais fácil de levar a efeito a vigilância pessoal, para evitar a queda em tentações?

-A maneira mais simples é o de cada um estabelecer um tribunal de autocrítica, em consciência própria, procedendo para com outrem, na mesma conduta de retidão que deseja da ação alheia para consigo próprio.

Da Obra “O CONSOLADOR” – Espírito: EMMANUEL – Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

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