Psicografia pelo microcomputador (Rodrigo Mendes Delgado)

PSICOGRAFIA PELO MICROCOMPUTADOR

1 – DO SURGIMENTO DA ESCRITA ENQUANTO INSTRUMENTO DISSEMIDOR DO SABER

A psicografia é uma das várias capacidades mediúnicas, por meio da qual a pessoa, no caso o médium, recebe as intuições espirituais de seu Mentor (ou Guia) Espiritual, ou de Espíritos Superiores, que lhe transmitem, pela escrita, as mensagens que devem chegar até o conhecimento da humanidade.

A palavra médium provém de mediador. O médium, assim, é o canal entre os dois mundos, ou seja, o Mundo Material e o Mundo Espiritual. Portanto, o médium é o intermediário entre os encarnados (espíritos eventualmente na matéria) e os desencarnados (espíritos já fora da vestimenta carnal) que querem e precisam se comunicar com aqueles.

Deveríamos e, para isso conflui o processo evolutivo, formar um todo harmônico, pois, somos todos irmãos na Criação de Deus. Uns mais evoluídos e outros menos evoluídos, mas, todos iguais, posto que colocados na mesma caminhada, qual seja, a do progredir incessante. Estamos na Terra para um único e simples propósito, evoluirmos na Lei de Amor e Caridade.

A mediunidade, ao contrário do que muitos possam pensar, não é um adorno a ser pomposamente ostentado pelo médium, mas, capacidade de alto grau de responsabilidade, que deve ser conduzida com amor, caridade e, acima de tudo, humildade.

A psicografia é uma palavra formada de duas outras, quais sejam: “psicos” (mente) e “grafia” (escrita). Logo, psicografia significa escrita pelo pensamento. A escrita plasma a comunicação, por meio de sinais, de pensamentos ou ideias. Portanto, e, consoante o dicionário, escrita é a “Representação de palavras ou ideias por meio de sinais”. Cada povo, cada civilização, em dado momento histórico de sua trajetória evolutiva, cunhou ou criou sinais, por meio dos quais pudessem deixar impressos, para a posteridade, suas ideias, pensamentos, costumes, hábitos alimentares e até mesmo tradições religiosas.

O homem das cavernas, por exemplo, criou a arte rupestre, que se traduziu no hábito de pintar, no interior das cavernas, em suas paredes, sua própria história. Por meio de desenhos, os homens deste período representavam suas caçadas, seus hábitos alimentares e suas crenças religiosas. Portanto, o homem, em seu íntimo e inspirado pelos Espíritos Superiores, sempre teve a necessidade de registrar sua passagem pela Terra, nos mais diversificados períodos geológicos.

Quando o homem finalmente descobriu a escrita, o que, historiograficamente, teria ocorrido no ano de 4.000 a.C., uma profunda revolução ocorreria. Tanto que a história da humanidade é dividida, didaticamente, em pré-história e história, sendo o marco divisor de referidos períodos, justamente o ano de 4.000 a.C., ou seja, o Ano do Descobrimento da Escrita.

Para que a escrita seja durável, há a necessidade da conjugação de dois fatores primordiais, quais sejam: os sinais gráficos representativos das ideias e pensamentos, e uma base, na qual referidos caracteres serão apostos (impressos).

Vários são os instrumentos utilizados pelo homem. Desde as paredes das cavernas, para o homem antigo, até o papiro, placas de argila, metal, pedra e, mais modernamente, o papel feito de celulose.

Com essa imprescindível conjugação, o homem pôde criar e transmitir cultura, por meio da conversação de seu pensamento. A escrita, assim, nos legou, desde nossos primeiros ancestrais, as informações e o conhecimento de que necessitávamos (e necessitamos) para compreender a realidade presente. Somente pelo conhecimento do passado, podemos entender o presente e, com mais segurança, projetar nosso futuro.

Daí a necessidade e importância da escrita. A escrita, assim, é uma Tecnologia da Comunicação.
Inicialmente, o homem representou os objetos, por meio do desenho dos mesmos. Neste sentido, essa a informação encontrada no site Wikipédia, no seguinte endereço http://pt.wikipedia.org/wiki/Escrita, e que nos traz o seguinte relato:

Origem da escrita
Acredita-se que a escrita tenha se originado a partir dos simples desenhos de ideogramas: por exemplo, o desenho de uma maçã a representaria, e um desenho de duas pernas poderia representar tanto o conceito de andar como de ficar em pé. A partir daí os símbolos tornaram-se mais abstratos, terminando por evoluir em símbolos sem aparente relação aos caracteres originais. Por exemplo, a letra M em português na verdade vem de um hieróglifo egípcio que retratava ondas na água e representava o mesmo som. A palavra egípcia para água contém uma única consonante: /m/. Aquela figura, portanto,veio representar não somente a idéia de água, mas também o som /m/.Um processo simbólico que possibilitou ao homem expandir a mensagem para muito além do tempo e do espaço de propagação dela, criando mensagens que se manteriam inalteradas por séculos e que poderiam ser proferidas a quilômetros de distância.

Portanto, no início, os ideogramas representavam as ideias e os pensamentos do homem.

Posteriormente, o homem aperfeiçou a escrita, deixando a fase dos ideogramas, para chegar até a grafia, como nós a conhecemos modernamente.

Historicamente, o primeiro povo a usar a escrita foram o Mesopotâmios, com um sistema de sinais gráficos conhecidos como escrita cuneiforme, sendo seguidos pelos Egípcios que usavam, inicialmente, o hieróglifo e, posteriormente, passaram a usar um conjunto de sinais denominado de hierático.

Assim, estava criado um sistema de sinais gráficos mais aperfeiçoado e por meio do qual o homem poderia registrar não apenas sua história e pensamento, mas, seus conhecimentos e sua cultura.

Não se pode negar, por evidente, que todo este processo foi assistido de perto pelo Mundo Espiritual, certamente ansioso pelo momento em que poderia se fazer conhecer no mundo material, trazendo alento aos aflitos e luz à ignorância na qual o homem ainda se encontrava.

2 – PROPÓSITO DA PSICOGRAFIA

Depois que o grande irmão Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail) codificou toda a Doutrina Espírita, dentro das cinco obras básicas que, gosto de chamar de “O Pentateuco do Espiritismo”, e que se traduz nos seguintes livros: O Evangelho segundo o Espiritismo, A Gênese, O Livro dos Médiuns, O Livro dos Espíritos e O Céu e o Inferno, o Mundo Espiritual, incontestável e filosoficamente, se revelou ao homem.

Não se pode negar que o homem tem contanto com o Plano Espiritual há muitos milênios, notadamente, os povos indígenas e os aborígenes (povos nativos de uma dada região) de várias outras culturas, mas, até a Codificação Kardeciana, muitos estudiosos viam estas manifestações religiosas como mero sistema mitológico e místico, sem qualquer lastro científico a lhe conferir autenticidade e credibilidade. Depois da Codificação realizada por Kardec, o Espiritismo, definitivamente, se assentou em bases sólidas e passou a se fazer ouvir no Mundo Material.

Diante disso, e diante da descoberta da escrita, nossos abnegados irmãos espirituais, premidos pelo mais depurado sentimento de amor e caridade e ansiosos por nossa lenta, mas, necessária evolução, passaram a nos transmitir os conhecimentos que, até então, não haviam sido descortinados para a humanidade. E essa não revelação, evidentemente, tinha uma dupla razão, em nossa modesta opinião, qual seja: primeiro, o homem não estava preparado para receber certos e determinados conhecimentos; segundo, ainda não havia uma base científica sólida, sobre a qual os ensinamentos do Mundo Espiritual pudessem se assentar.

Hoje, além de provado cientificamente que os Espíritos existem (afinal, todos nós somos espíritos, eventualmente na carne), o Mundo Espiritual nos considerou aptos a sorver seus conhecimentos, e que o mesmo vem nos transmitindo pela pena de pessoas do quilate evolutivo de Francisco Cândido Xavier (com mais de 400 obras psicogradas), José Herculano Pires, Divaldo Pereira Franco, Yvonne de Almeida Pereira, dentre outros, e, evidentemente, pelo predecessor de todos os psicógrafos, Allan Kardec.

Foi assim que a psicografia, em linhas gerais, iniciou-se. Sua necessidade se assenta, na função caridosa da mesma, em transmitir os conhecimentos de que o homem necessita para que possa, com segurança, evoluir na Lei Moral. Através de lições, as vezes romanceadas, outras científicas, narram-se os acontecimentos ocorridos com pessoas, enquanto encarnadas, e as consequências das atitudes impensadas, das vidas que desbancaram para o lado da erraticidade, do mal e da ausência de caridade. Além, evidentemente, das experiências amargas dos desencarnados, quando fazem sua passagem e sofrem os mais terríveis tormentos no Umbral (zona umbralina), como é o caso dos suicidas.

Os obras mediúnicas têm o grande propósito de divulgar, gratuitamente, o conhecimento ofertado por nossos laborosos irmãos espirituais, que lutam pela disseminação do bem, do amor e da caridade incessante.

Tanto que, nenhum médium pode vender seus direitos autorais em benefício próprio, pois, o autor da obra mediúnica não é o médium psicógrafo, mas o Espírito comunicante e, se este abnegado irmão não cobra por seus préstimos, por que o médium psicógrafo cobraria? Seria um roubo, uma gritante imoralidade a venda da obra mediúnica, pois, o médium estaria se valendo de trabalho alheio, sobre o qual pretendesse amealhar riqueza. Os psicógrafos são os instrumentos pelos quais os conhecimentos são transmitidos, mas, não são os mentores intelectuais de referidos conhecimentos. “Dai de graça, o que de graça lhe foi dado”, esse o mandamento da caridade e do amor verdadeiro. Lembrando sempre, meus irmãos, que: “Fora da caridade não há salvação”.

Portanto, o médium psicógrafo é apenas a porta pela qual o conhecimento passa e chega às mãos de nós, encarnados.

3 – DOS PROCESSOS MECÂNICOS DA PSICOGRAFIA

Os primeiros registros psicográficos se deram, pelo menos depois da Codificação, por meio de lápis ou caneta e papel. Não se pode negar, evidentemente, que os povos antigos recebiam instruções do plano espiritual, imprimindo as mesmas sobre as mais diversificadas bases ou suportes, desde as paredes das cavernas, até o papiro e as pedras de argila.

Mas, as obras mediúnicas, tais quais as conhecemos na modernidade, ou seja, escritas depois do trabalho de Codificação Kardeciano, foram produzidas por pessoas que, sob a inspiração dos Espíritos Superiores, usando lápis ou caneta, escreviam os mais diversificados textos que lhes eram ditados. Esse o método mais tradicional e o mais conhecido na atualidade por pessoas adeptas da Doutrina Espírita e pelos não adeptos.

Sempre foi feito desta forma. Diante disso, pergunta-se: é possível, atualmente, a psicografia realizada por meio de microcomputadores? Isso não dificultaria a transmissão de pensamento do Espírito transmissor ao médium receptor? Ou seja: a máquina não atrapalharia a fluência das ideias e dos pensamentos?

Em primeiro lugar, não nos esqueçamos de que, se hoje podemos fazer uso de equipamentos como os microcumpatores é porque, referidos equipamentos, foram projetados, primeiro, no Plano Espiritual e, depois, transmitidos a nós, seres humanos (encarnados), por nosso merecimento e necessidade evolutiva, por inspiração criativa, dada por espíritos que encarnaram entre nós para esta finalidade, qual seja, nosso desenvolvimento científico. Portanto, a coisa criada não pode atrapalhar o seu criador, pois, provém do mesmo.

Portanto, quanto ao primeiro questionamento: é possível, atualmente, a psicografia realizada por meio de microcomputadores? Nossa resposta é SIM. É possível a psicografia realizada por meio do microcomputador. Tanto isso é expressão de verdade que, o articulista que ora assina o presente ensaio, em data de 01 de outubro de 2009, às 20h00, no Centro Espírita “Seara Espírita – A Caminho do Mestre”, na cidade de Birigui, Estado de São Paulo, na incumbência, nesta vida, de médium psicógrafo, realizou, por meio de um microcumputador (no formato notebook) sua primeira psicografia por computador.

Trabalho esse realizado nas Reuniões Mediúnicas das quintas-feiras. Portanto, somos a prova viva, com a presença de várias testemunhas (todas médiuns de várias capacitações), de que a comunicação mediúnica de psicografia, por meio de microcomputador, já é uma realidade do Século XXI.

O importante não é a base física, ou seja, o suporte que recebe a mensagem ditada, mas sim, a perfeita sintonia entre o Espírito comunicante e o médium receptor. Essa sintonia fina, realizada pelo amor e pela caridade é que dá profundidade e autenticidade ao ditado psicografado. Feita esta sintonia, nada mais tem importância. É o amor pelo trabalho, que proporciona o veículo da comunicação na psicografia e não os instrumentos ou equipamentos utilizados para a recepção da mensagem. Amor, esse é o segredo.

Se a psicografia é a escrita recebida pela mente, ou seja, pelo pensamento (intelecto) inteligente, tem-se que, para a concretização da mesma, basta o aparelho receptor, ou seja, o médium psicógrafo e o aparelho emissor, ou seja, o Espírito Superior transmissor (comunicante) da mensagem. Estes são os instrumentos importantes do processo psicográfico. Havendo a recepção cristalina e clara da mensagem, é totalmente irrelevante a base física ou suporte sobre a qual o médium a resgistrará.

Portanto, em psicografia, o importante é a sintonia entre os dois mundos, realizada por meio dos sentimentos puros do amor e da caridade. Estabelecida a sintonia, a mensagem é recebida.

4 – CONCLUSÃO

Assim, diante destes esclarecimentos preliminares, estamos aptos a responder o segundo questionamento formulado, qual seja: Isso não dificultaria a transmissão de pensamento do Espírito transmissor ao médium receptor? Ou seja: a máquina não atrapalharia a fluência das ideias e dos pensamentos? Cuja resposta é: NÃO, a máquina não dificultaria a transmissão do pensamento do Espírito transmissor ao médium receptor, porque a sintonia do Espírito emissor da mensagem não é estabelecida com a máquina, mas sim, com o médium receptor da mesma. Logo, a máquina em nada influencia na transmissão das mensagens psicografadas e, portanto, não atrapalha a fluência das ideias e dos pensamentos. Como dito, o microcumputador é apenas um suporte da mensagem, como qualquer outro.

Logo, o médium pode receber e registrar a mensagem psicograda em qualquer material de que disponha no momento da comunicação, inclusive o microcomputador. Devemos utilizar o desenvolvimento tecnológico para a evangelização e propagação do amor e da caridade. Sendo bem utilizado, todo instrumento é útil para a prática do bem e o progresso da humanidade.

RODRIGO MENDES DELGADO
rmdelgado@ig.com.br

Fonte: http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=3109&cat=Textos_Religiosos&vinda=S

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Leia também: Psicodigitação – A Psicografia na Era do Computador

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