O desânimo (© Letícia Thompson)

“Deveríamos todos parecer flores no início da primavera. A própria imagem da vida, abertos, viçosos, esperançosos e sorridentes, muito sorridentes aos passantes.

Só que a vida é um lutar constante. Quando chegamos prontos para a batalha, não sabemos ainda como serão as lutas, o que vão exigir, o que vão tomar de nós. E é assim em várias áreas da nossa vida, que seja física, espiritual, amorosa, nos nossos relacionamentos com os outros…

O lutar nos cansa; as respostas que tardam a vir nos cansam, as esperanças prorrogadas ao dia-a-dia podem tornar-se cansativas. A fadiga chega, o desânimo se apossa de nós e tira nossas forças.

A fadiga psicológica é muito mais perigosa do que qualquer outra que venha tomar conta de nós. Não basta uma noite de descanso ou uns dias de férias. Oxalá fosse assim! Muitos dos nossos problemas seriam resolvidos a cada fim de semana.

Quando nos deparamos com uma situação em que não vemos saída é inútil continuar se debatendo, isso só vai aumentar o desânimo.

É preciso em certos momentos deixar-se abandonar, não para desistir, mas para se recuperar as forças, olhar com objetividade, dar-se a ocasião de reconhecer-se fragilizado e humano e, por isso mesmo, igual a todo mundo. Há os que nunca perdem a coragem e vontade de lutar, mas ainda não conheci alguém que nunca tenha tido um momento, nem que seja um momento, de desânimo. E não é errado, não é anormal.

É apenas nosso ponto de limite e isso é muito individual, por isso nada de comparações. Ninguém é melhor que ninguém por que parece mais forte e resistente, as pessoas apenas são diferentes.

Jesus chorou, mas não desistiu de Jerusalém. Ele pediu que o cálice fosse passado, mas carregou a cruz e foi pregado nela.

Vocês já observaram flores que ficam muito tempo sem água? Elas murcham, ficam abatidas. Mas em geral é suficiente um copo de água fresca e logo depois elas reerguem-se, como muitas quando recebem o sereno na madrugada. Chegam prontas para enfrentar o dia. E é assim conosco.

Que as lágrimas venham, venham sim! E que venham os tempos de estia! Mas que não morramos de fraqueza, que a noite chegue trazendo o sereno, que a primavera volte! Quantas e quantas vezes é suficiente levantar um pouco os olhos para ver que as soluções estavam ao nosso alcance, a gente é que estava cansado demais para procurar direito.

Disse Jesus: No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo! Eu venci o mundo.

E se estamos em Cristo e Ele em nós, nenhum obstáculo será intransponível, nenhuma estrada será longa demais.”

Autora: Letícia Thompson

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